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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tópicos da Madrugada IV

Volta e meia, depois de uma gargalhada, as pessoas dizem "Ai, Ai". Você já parou para refletir sobre a profundidade e a extensão poética contida nesse "Ai, Ai"? Acredito que sim. O "HAHAHA" demonstra uma tentativa de fugir da realidade, uma forma de escapar por alguns instantes de toda a amargura e sofrimento da vida. Já o "Ai, Ai", emitido em menos de dois segundos, representa o regresso a essa realidade brutal e desumana, demonstrando a efemeridade da alegria. Pois é. A vida tem bem mais "Ai, Ai" do que "HAHAHA".
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Outro dia eu vi uma moça com um chapéu coco na padaria. Sempre achei chapéu coco um treco meio ridículo. Pra mim o único que ficava bem com aquilo, definitivamente, era o Chaplin, e só ficava legal porque ele era humorista, então todo o conjunto era (e ainda é) ridículo. Algo que fica bem em um personagem de humor pastelão, convenhamos, deve ser ridículo. E eu sempre achei chapéu coco um tanto quanto ridículo. Mas aquela moça ficou realmente bem com aquele adereço. Ela não era bonita, mas ficou mais engraçadinha. Mais interessante. Se eu tivesse a manha e fosse mais intrometido, acho que puxaria conversa com ela. Só por curiosidade. Sabe, tipo criança que vem perguntar o porquê das coisas? E ia começar questionando: "Com licença, moça, mas o que te leva a usar chapéu coco?". Porque eu sou mais direto que murro na cara mesmo.
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Há algum tempo, desenvolvi um método muito prático, peculiar e infalível a respeito do timming para meu corte de cabelo. Acordo, sento na beirada da cama e olho para baixo. O sol entra através da janela pelas minhas costas e projeta minha sombra no chão. Se ao invés de minhas formas bonitas eu vislumbrar no piso o vulto do Robert Smith, sei que está na hora de aparar a juba. Sei que devo cortar. O que não significa que eu vá fazê-lo.
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Ontem, 30 de novembro de 2011, foi o dia que comprei um terno. Apenas achei que vocês gostariam de saber. Afinal, um pouco de conhecimento não faz mal a ninguém. A menos, é claro, que você vá se meter com a máfia siciliana. Daí o melhor é você se manter ignorante mesmo. Quem sabe demais vai dormir com os peixes.
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O elevador do prédio onde trabalho está em manutenção e não tem previsão de quando vai voltar. Se eu continuar a descer os 9 andares saltando de 2 em 2 degraus, como sempre faço, em 1 semana vou conseguir o que até hoje não tinha feito: detonar meus joelhos, que estão perfeitos e intactos depois de 26 anos de uso. Preciso parar com isso, mas não tenho paciência para descer escadas como uma pessoa normal. É um saco.
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Quando a Nestlé colocou seus sorvetes no mercado, a Kibon mudou a composição dos sorvetes dela e igualou o sorvete de chocolate ao da concorrente. E ficou uma droga. O chocolate anterior era bem mais saboroso. Denuncio isso agora, com anos de atraso, porque cedo ou tarde, eles teriam que se ferrar por tamanha idiotice!
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O principal motivo para assistir Don Juan de Marco (um filme que assisto sempre que passa, foda-se, e daí?) é só um: um motivo velho, gordo, brilhante e que se chama Marlon Brando. Mas outro dia, revendo o filme, pela primeira vez percebi que existe algo de interessante ali, algo que transforma o filme de reles mimimi romântico em algo instigante e profundo. Em uma cena, o personagem de Johnny Depp esclarece: ele sabe exatamente como é o mundo, sabe que está diante de um psiquiatra chamado John Mickler em um sanatório. Mas prefere enxergar as coisas como ele gostaria que fossem: desse modo ele é um hóspede na vila de Don Octávio de Flores. Para ele, os dois os mundos são absurdos, mas o que ele inventou para si mesmo é muito mais bacana e criativo que o outro chamado "mundo real". O que me preocupa é que não tenho muita certeza de que ele está equivocado. Mas o pior é saber que jamais teria a capacidade de imaginar um mundo assim para mim.
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A propósito, a lista de filmes que eu "preciso muito assistir" ficou tão gigantesca, mas tão gigantesca, que até já saiu de casa e alugou um apartamento em Piracicaba. A Rede Social é um bom exemplo: só ontem tentei assistir 2 vezes, mas a roupa de cama recém-lavada com amaciante de boa qualidade me fez dormir felizão.
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Impressão minha ou na língua francesa existe um milhão de formas de se representar o fonema "ô"? Renault, Chesneaux, Peugeot. Não se diz Renô, Chesnô e Pejô? Então pra que inventar tantas maneiras de escrever a mesma coisa? Porque não grafam todas essas palavras de um jeito só? Ou será que cada uma dessas grafias representa um jeito diferente de dizer "ô"? Eu bem que tentei, mas só consigo falar "ô" de um jeito. E essa pode até ser uma dúvida cretina. Mesmo porque eu entendo de francês tanto quanto de microbiologia marinha.
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Ei, vocês perceberam que eu mudei a forma de separar os tópicos? Achei que ficou melhor. Quem curtiu e quiser se manifestar, pode mandar palavras de apoio e carinho para o e-mail. Quem não curtiu, pode ir à merda.


E agora eu vou dormir.
Boa noite.